Dever cumprido
01/07/2019 às 10:30

GÔNDOLA: O senhor é engenheiro de formação, atuou no setor de siderurgia e é pecuarista. Como foi parar no setor supermercadista?

Matusalém: Sou funcionário da Usiminas há 45 anos consecutivos e a empresa sempre conduziu os destinos da Consul.   Na época, era um períodode mudança de diretoria e da privatização, então precisava dar um novo caminho para a Cooperativa, e me convidaram para vir. Eu, a rigor, não conhecia nada, nem de varejo nem de cooperativismo. Fui aprender, buscar informações,conhecimentos com outras cooperativas.Viajei, inclusive com a AMIS,para fora do País, para ver realidades e tendências. Acabei ficando aqui até hoje, por 28 anos.

GÔNDOLA: Que balanço faz da sua atuação à frente da Cooperativa?

Matusalém: São 28 anos, e 28 anos atrás o varejo era diferente e o cooperativismo também. Por exemplo: a Consul só fazia negócios com empregados da Usiminas, e a primeira coisa que percebi depois deum período de aprendizadofoi que nós precisávamos ter escala de mercado, e para isso só os empregados da Usiminas não teriamessa possibilidade. Então, optei por abrir a Consul para a comunidade. Na época, tinha uma demanda muito boa.Nós fizemos isso e a Consul saltou de 10,7 mil para mais de 82 milcooperados hoje.

GÔNDOLA: Com tanto conhecimento, a sua saída não é um grande prejuízo para o setor?

Matusalém: Eu acredito que não. As coisas evoluem muito e vão surgindo novas potencialidades. Eu acredito na turma que está chegando, uma turma com novas ideias. Por outro lado, eu sou um cooperado e vou estar sempre próximo da nossa Cooperativa. Tenho certeza de que a mudança é positiva e as coisas vão acontecer sem nenhum baque com a minha saída, apesar dos 28 anos e das relações que a gente acaba tendo com a comunidade, cooperados e a cidade. Mas eu aposto muito nessa nova diretoria que está chegando.

GÔNDOLA: Presidente da Consul, vice-presidente da AMIS e sempre ligado ao associativismo. O senhor concorda com a ideia de que é preciso unir forças no setor? 

Matusalém: Sem dúvida. Isso a gente aprende muito no cooperativismo, que são princípios básicos. Aliás, cooperar significa operar em conjunto, e isso eu aprendi muito aqui e acredito que a Consul, ao longo desses anos, obteve bastante sucesso. Acho que esse seja o caminho não só aqui, mas para qualquer outra Cooperativa em qualquer segmento.

GÔNDOLA: O senhor diria que mais cooperativas fariam bem à Economia, à Humanidade?

Matusalém: Sem dúvida nenhuma. Aliás, é dito que o cooperativismo é o caminho mais curto para a democracia e para a paz e, consequentemente, para o desenvolvimento social e econômico. O cooperativismo não tem a figura do dono e isso permite que se aproxime da igualdade dos direitos e dos deveres, mas eu vejo que é o caminho do desenvolvimento e da busca do progresso de uma nação.

GÔNDOLA: Li uma frase do senhor recentemente que diz: O maior compromisso de um dirigente cooperativista é assegurar a perpetuidade da Cooperativa sob sua responsabilidade”. O senhor sai com a certeza desse dever cumprido?

Matusalém: Os números, as manifestações que a gente tem recebido demonstram isso.  Os próprios resultados, a posição econômica, o número de cooperados e a atualização da Consul demonstram que a Cooperativa está pronta para enfrentar o mercado atual e futuro com condições econômicas e financeiras adequadas para poder seguir em frente. Eu sempre carreguei essa frase comigo.É uma frase minha, aliás, e fiz questão de, durante todo o tempo, praticar isso que está dito aí.

Gôndola:Osenhor disse que a Cooperativa pode trazer melhores resultados para a economia. No segmento supermercadista, acha que tem espaço para uma atuação mais forte do cooperativismo?

Matusalém:Ovarejo, principalmente o alimentício, está muito concorrido, com grandes, megaredes, com as internacionais ocupando muitos espaços nas grandes e médias cidades. Mas ainda tem espaço, sim, no cooperativismo de consumo, que é o nosso caso aqui na área supermercadista, desde que se tenha gestão. Tudo é baseado numa gestão profícua, atual, e que entenda os rumos do setor varejista.

GÔNDOLA:Os funcionários da Consul se referem de forma carinhosa ao “seu Matusalém”, por quem eles têm muito apreço. Como ter essa empatia da equipe e, consequentemente, bons resultados?

Matusalém: A liderança não pode ser autoritária; tem que ser espontânea.Você tem que buscar a adesão da equipe, valorizar os colaboradores e, através disso, criar essa empatia. E nada impede de administrar de forma carinhosa. Isso não tira o direito de ter disciplina, exigir retidão, comprometimento da equipe e, principalmente, motivação. Temos que levar a motivação para nossos colaboradores.  Você tem que valorizar os profissionais, valorizar a prata da casa e, de forma harmoniosa, buscar os resultados através disso.

GÔNDOLA: Que imagem mais marcante ficou daquele 31 de março de 2019, quando o senhor, em assembleia,entregou a presidência da Consul depois de 28 anos?

Matusalém: Fica um momento emocionante, não deixa de ser. Pela relação que a gente tem com a Diretoria, Conselho Fiscal, Conselho Administrativo, com os colaboradores e gerentes... Realmente é um pouco difícil, mas eu me preparei muito para esse momento. Um dia isso iria acontecer,porque tem necessidade da renovação. Vou levar isso como um filme, um retrato momentâneo com muita saudade. Foi muito simbólico, muito representativo.  Mas o momento foi aquele, e agora é seguir em frente.

GÔNDOLA: O que a AMIS significou para o senhor e o que o senhor significou para a AMIS nesses 28 anos?

Matusalém: Eu prefiro avaliar mais o que a AMIS representou para mim, onde sempre encontrei pessoas altamente competentes e comprometidas com o associativismo. Foi uma oportunidade de trazer muitos benefícios para a nossaCooperativa e para o setor varejistacomo um todo aqui da região. Acho que os profissionais têm que valorizar, têm que participar da AMIS para que ela possa sempre estar robusta e com possibilidades de buscar coisas benéficas para o varejo.

GÔNDOLA: Logo mais será a abertura do Sevar, que o senhor sempre tratou com muito carinho e ao qual se dedicou muito. O que esse evento significa para o senhor e para a região?

Matusalém: São vários anos trabalhando na coordenação do Sevar aqui.Hoje estou saindo da Cooperativa.Consequentemente, tenho que sair da vice-presidência da AMIS, mas a gente chega coma sensação do dever cumprido e das relações que a gente teve nesse período com os supermercados do Leste de Minas todo.Mesmo em Belo Horizonte, nas reuniões da AMIS, foi um momento muito significativo para mim. Aprendi muito.

GÔNDOLA: O senhor está saindo da Consul, mas não do cooperativismo. Gostaria que falasse dessa nova tarefa...

Matusalém:Eu já participava do cooperativismo financeiro, que é o nosso Sicoob do Vale do Aço, que pega todo o Vale do Açoe hoje Vespasiano,Santa Luzia, Lagoa Santa e Belo Horizonte, onde hoje temos uma bela agência, e estou até convidando a todos para conhecer.  Eu estou me dedicando, e vou me dedicar mais ainda, ao cooperativismo financeiro, que também tem um crescimento absurdo no mercado e de certa forma até incomodando os bancos. Estamos lá e esperamos fazer um bom trabalho.

GÔNDOLA: Qualcargo o senhor está assumindo no Sicoob?

 Matusalém: Estou na área da Diretoria-Executiva, na diretoria de Coordenação e Supervisão no Sicoob Vale do Aço. Hoje são 16 agênciascom uma possibilidade de crescimento muito grande.

GÔNDOLA: O que mais o senhor considera importante mencionar?

Matusalém: Gostaria de agradecer muito à AMIS, aos parceiros supermercadistas e aos fornecedores, que são muito importantes nesse contexto. Sem a parceria com o fornecedor, você fica à deriva no mercado. Fica o agradecimentoà nossa equipe da Consul, também. Quero dizer que estou saindo com a satisfação do dever comprido. Fico muito feliz. Estou saindo, mas me considero ainda muito produtivo.Estou bem fisicamente, e espero não perder o contato coma AMIS.

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