REDES SOCIAIS AMIS Facebook Twitter Youtube

AMIS



'Efeito 3G' pressiona múltis de consumo - 25/07/2017



Nelson Peltz já fez barulho por mudanças em diversas companhias de bens de consumo, como Heinz, Cadbury, Mondelez, PepsiCo e Danone. Na semana passada, lançou-se numa batalha por um assento no conselho da Procter & Gamble (P&G), a maior fabricante de produtos para casa dos Estados Unidos, com valor de mercado de US$ 226 bilhões, na qual a Trian, empresa de Peltz, investiu US$ 3,3 bilhões este ano.


Ele não está só. A Nestlé, maior grupo de produtos de consumo do mundo, descobriu no mês passado que seu valor de mercado, de 259 bilhões de francos suíços (US$ 273 bilhões), não representa mais uma defesa contra investidas desse tipo. Dan Loeb, CEO da Third Point, assumiu uma fatia de US$ 3,5 bilhões na fabricante e pediu "um maior senso de urgência" na melhoria do desempenho da companhia, que ele classificou de "acomodada" e "presa ao passado". Peltz usou uma linguagem parecida em relação à P&G, apontando para "os custos e a burocracia excessivos" e "uma cultura insular e lenta".


François-Xavier de Mannmann, presidente do conselho do banco Goldman Sachs, diz que os investidores ativistas estão intensificando movimentações no setor de consumo. "Os ativistas vêm investindo no setor de consumo há anos, mas tem havido um crescimento considerável no número e no tamanho das companhias miradas por eles nos últimos meses."


 Esses grupos podem ser alvos atraentes. Empresas como P&G e Nestlé - e outras nas quais os ativistas estão de olho, como Unilever e Mondelez - são facilmente criticadas por seus impérios, por custos excessivos e funcionários ineficientes protegidos pelo tamanho dos negócios e por posturas administrativas arraigadas.


 Analistas afirmam que a maior parte dessas companhias está quase no ponto. Em suas centenas de milhares de funcionários e carteiras de produtos há gordura que pode ser queimada. Os ativistas veem potencial para aumentar os retornos aos acionistas cortando os custos.


"O crescimento das vendas nas indústrias de consumo diminuiu e por isso estamos vendo a ascensão dos investidores ativistas, que buscam cortar os custos para aumentar a lucratividade", afirma David Dudding, gestor de fundos da Columbia Threadneedle Investment.


Analistas afirmam que o ímpeto mais forte dos ativistas é o potencial para elevar os lucros, conforme demonstrado pela 3G Capital, o grupo de private equity liderado por brasileiros. Há décadas ele vem adquirindo companhias do setor de consumo, reduzindo os custos e melhorando os ganhos para níveis descritos por Peter Brabeck, chairman emérito da Nestlé, como "revolucionários".


Depois que a 3G comprou a Heinz em 2013, junto com Warren Buffett, as margens de lucro da fabricante de ketchup cresceram 58% em dois anos, para 28% - quase duas vezes a margem de lucro operacional da Nestlé, de 15%. A 3G e a Berkshire Hathaway de Warren Buffett fundiram a Heinz com a Kraft em 2015.


Este ano, eles abalaram o mundo dos bens de consumo com a proposta de US$ 143 bilhões da Kraft Heinz pela Unilever, que tem o dobro das receitas da potencial compradora. A oferta foi abandonada após uma grande oposição da Unilever, mas a abordagem audaciosa deixou até mesmo o maior dos grupos de produtos de consumo parecendo vulnerável.


 "O catalisador do foco dos ativistas nos grupos de bens de consumo é a crescente polarização entre as companhias que vêm passando por cortes de custos ao estilo 3G e as que não passaram", diz Raphaël Pitoun, diretor da Seilern Investment Management. "Grupos como Nestlé, Colgate, P&G e outros não passaram por esse processo, de modo que os ativistas veem oportunidade de aumentar os lucros por ação via corte de custos".


Peltz destacou o fraco crescimento orgânico da P&G e disse que seu plano de corte de custos não trouxe lucros maiores e criação de valor para os acionistas. As críticas da Loeb à Nestlé são parecidas. Ele já pediu uma meta formal de margem, algo que Mark Schneider, o novo CEO da Nestlé, já estava considerando.

 
Outra atração são os baixos níveis de endividamento de muitas dessas grandes empresas, incluindo a Nestlé, Unilever e L'Oréal, em relação a outros setores. Loeb descreveu o endividamento líquido da Nestlé, de uma vez os lucros antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) como "extraordinariamente baixo". Ele exortou o grupo a dobrar seus empréstimos, "monetizar" sua participação de 23% na L'Oréal, que está avaliada em US$ 25 bilhões, e devolver capital para os acionistas.


Schneider anunciou uma programa de recompra de ações de até 20 bilhões de francos suíços poucos dias depois que Loeb entrou em cena, embora a Nestlé tenha dito que vinha planejado a operação há meses.

 
A Unilever reagiu após a ofensiva da Kraft Heinz. O grupo intensificou o foco na lucratividade, fixando uma meta de margem operacional de 20% até 2020, em relação aos 16% do ano passado.


(Fonte: Valor Econômico) 


ONDE ESTAMOS

Rua Levindo Lopes, 357 - 6º andar - Funcionários Belo Horizonte - MG

EMAIL

amis@amis.org.br

LIGUE

(31) 2122-0500
Facebook Twitter Youtube



© Copyright 2013 - AMIS - Associação Mineira de Supermercados. Todos os direitos reservados.