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Arroz e feijão reconquistam espaço no prato do brasileiro, revela revista GÔNDOLA - 21/07/2017



Nada menos que 12% de janeiro para cá. Este é o dado registrado pelo proprietário da rede Irmão Supermercados, Ary Silva. A rede tem quatro lojas em Caratinga (MG) e uma quinta em construção na mesma cidade e constatou que os produtos da cesta básica tiveram aumento do consumo que chegou a 12% nos primeiros cinco meses de 2017.
 

 “Como o arroz e o feijão estão dentro da cesta básica, eles acompanharam esse índice”, afirma Ary. O empresário conta ainda que o tíquete comprova a afirmação. E não foram só as classes de menor poder aquisitivo que voltaram a consumir os dois alimentos. “De A a E, todos voltaram a comprar. Percebemos também que os clientes não buscam mais uma marca preferida, mas sim aquela que está em oferta ou que tenha um preço mais em conta”, ressalta.

 

A notícia que vem do interior de Minas bate também com pesquisa recentemente divulgada pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Ela mostra que o arroz e o feijão continuam firmes na alimentação do goiano e do morador de Goiânia. A pesquisa da UFG contou com o apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), da Camil Alimentos, da Cippal Consultoria Júnior e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás.

 

Segundo Ary Silva, o consumidor que antes ia ao supermercado uma vez por mês, agora está com presença diária dentro das lojas em busca de ofertas. Em suas quatro lojas, Silva comercializa 20 mil quilos de feijão por mês e 95 mil quilos de arroz. Acompanhando o arroz com feijão, Ary diz que os legumes mais baratos e em oferta também constam na lista de compras dos clientes que ganhou impulso nos últimos meses. E que os enlatados e comidas prontas começaram a ser substituídos pela refeição feita em casa.

 

 

 

Poderia ser maior

 

Principalmente no caso do feijão, houve escassez de oferta por quebra de safras em 2015, o que elevou em excesso seu preço, afastando um pouco o consumidor. Somente a partir de meados de 2016 que os preços do produto foram baixando no campo e em toda a cadeia de suprimento. Algo parecido aconteceu com o arroz, mas não na mesma proporção do feijão. Acredita-se que, caso a oferta e os preços tivessem sido regulares em 2015 e no primeiro semestre de 2016, é provável que a retomada do consumo teria sido ainda maior.

 

Segundo o gerente comercial da rede Rena Supermercados, sediada em Itaúna e com lojas naquela cidade e em Divinópolis, Juatuba, Mateus Leme e Oliveira, Rodolfo Aeraphe Mendes da Silva, o tíquete médio do arroz e do feijão agora estão estabilizados. ”Não houve um aumento, mas também não diminuiu”, diz o gerente. O crescimento de vendas do arroz agulhinha tradicionalmente industrializado e do feijão carioca registraram avanço na sua opinião, mas não tão significativo como o do arroz integral.

 

Arroz integral

 

Ele conta que houve um crescimento no consumo de arroz integral três vezes maior nos últimos cinco anos e cerca de 3% a mais nas vendas de pacotes de um e dois quilos. “O consumo de arroz parbolizado reduziu cerca de 50%. Acredita-se que as pessoas estão buscando produtos alternativos”, avalia. A Rena conta com 11 lojas de vizinhança, que somadas, totalizam 11 mil 500 metros quadrados de área de vendas. De acordo com Rodolfo, somente o arroz e o feijão representam aproximadamente 8% do volume de produtos comercializados pelas lojas.

 

Fornecedores

 

“A comercialização da nossa marca Sepé junto aos supermercadistas tem crescido de 8 a 10% ao ano. Só nesse ano de 2017, até o momento já identificamos um aumento de 9%”, revela Ênio Geraldo França, empresário do setor de arroz na CeasaMinas, em Contagem (MG). Para toda Minas Gerais, somente a sua empresa comercializa aproximadamente 100 mil fardos (30 quilos cada). Ele revela que, em função de maior participação de sua empresa em várias edições do Sevar, da AMIS, no Estado, as vendas só crescem. “Mas principalmente em Belo Horizonte e nas regiões Oeste e Norte onde nossa atuação ainda era pequena estamos aumentando muito as vendas”.

 

Ênio França diz que além de comercializar produto de qualidade, sua empresa mostra ao consumidor o quanto o arroz é versátil. Não só como base de uma refeição diária, como o almoço ou jantar, por exemplo, mas para outros momentos do dia, como um café da manhã ou tarde. As receitas são várias e algumas podem ser conferidas pelo leitor nesta edição de GÔNDOLA. 

 

Pressuposto errado

 

Carlos Magri, pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão e coordenador da pesquisa realizada em Goiás, disse que a intenção era descobrir como valorizar e aumentar o consumo da dupla, partindo do pressuposto de que o hábito estava sendo deixado de lado, na pequisa feita no final de 2016 e princípio de 2017.

 

 "Partimos de premissas erradas, alardeadas em redes sociais de que o consumidor está deixando de comer arroz e feijão em detrimento de junk food e outras combinações. Não é verdade. Há um consumo maior de sanduíches e outras comidas mais rápidas, mas a média aponta para estabilidade no uso de arroz e feijão nas refeições", afirma Carlos Magri Ferreira.

 

De acordo com a pesquisa, o consumo per capita de arroz por refeição em Goiás é de aproximadamente 69,5 gramas para todas as classes sociais e o feijão de 25,8 gramas. A pesquisa aponta ainda que, 75,1% dos goianos continuam fazendo suas refeições em casa e quase 60% dos entrevistados disseram que sentem necessidade de comer arroz e feijão em pelo menos uma refeição no dia.

 

Nessa região do Brasil a variedade mais consumida, 88,9%, é o arroz branco polido, seguido pelo parbolizado com 9,4% e, por último, o integral com 1,6%. Em relação ao feijão, 95,8% consomem o carioca e 3,6% o preto. O preço e a marca são fatores decisivos e fazem muita diferença para o consumidor na hora de adquirir os produtos.

 

Dupla

 

O professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) e também um dos responsáveis pela pesquisa, Reginaldo Figueiredo, revela que o levantamento feito quantifica e qualifica as preferências e os hábitos do consumidor e traz elementos que podem ser aproveitados de diferentes maneiras e por diferentes segmentos da cadeia produtiva, inclusive por quem decide as políticas públicas.

 

“Algumas informações evidenciadas pela pesquisa são de que o goianiense trata os dois alimentos de modo associado e considera importante comê-los ao menos em uma refeição diária, além de reconhecerem que o arroz e o feijão têm propriedades nutricionais benéficas à saúde”, diz o professor. Outro dado importante revelado pela pesquisa é de que 64,3% concordam em pagar mais caro por arroz e feijão produzidos em sistema orgânico, pois os consideram mais saudáveis.

 

Em Minas

 

De acordo com a Embrapa, a fim de ampliar o conhecimento sobre as características de consumo do cereal e da leguminosa no País, a equipe que trabalhou na pesquisa elaborou também propostas para fazer o mesmo levantamento no Maranhão, Tocantins, Pernambuco, Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O objetivo, segundo Magri, é compor um panorama de como o brasileiro vê o arroz com feijão dentro da perspectiva abrangente de progressiva mudança de crescimento e envelhecimento da população, redução do número de filhos por família, participação das mulheres no mercado de trabalho, maior acesso à informação, dentre outros.

 

Ainda em relação ao consumo de feijão, o diretor executivo da All Nutri Alimentos, Rodrigo Cardoso afirma que, de maneira geral, a percepção da empresa é de que ele vem aumentando a cada dia. “Acreditamos que isso se deva tanto à queda do poder aquisitivo da população quanto ao retorno dos consumidores a uma alimentação mais saudável, mais natural, preparada de maneira mais equilibrada”, destaca. E completa: “mesmo com a crise que se instalou no País, não notamos nenhuma queda nas vendas nessa categoria, pelo contrário”.

 

Safra

 

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em relação à safra 2016/2017, a colheita de arroz está em fase final e com condições climáticas favoráveis ao longo de todo o ciclo, o que deve resultar em mais de 12 milhões de toneladas de produção.

 

Feijão primeira safra: colheita concluída e produção de 1,39 milhão de toneladas, sendo 857,4 mil toneladas de feijão comum cores, 318,2 mil toneladas de feijão comum preto e 210,9 mil toneladas de feijão-caupi. Feijão segunda safra: o acréscimo de área nessa safra e as boas expectativas de produtividades resultam numa safra de 1,31 milhão de toneladas. A produção deverá ser de 639,4 mil toneladas de feijão comum cores, 208,6 mil toneladas de feijão comum preto e 460,1 mil toneladas de feijão-caupi.

 

Ou seja, os dados da Conab, tanto em relação à produção, quanto ao consumo dos dois produtos tiveram aumentos importantes na safra 2017/2016 em relação à de 2016/2015. Dados que só comprovam que a dupla arroz com feijão ainda faz parte da tradição alimentar do brasileiro de todas as classes sociais e que não há risco de escassez neste ano. E o que pode mudar de uma para a outra são as opções que o mercado varejista coloca à disposição do consumidor que busca, não só um alimento saudável, mas outras experiências gastronômicas.

 

Mix

 

A rede Supermercados Verdemar, em Belo Horizonte, atenta aos novos hábitos do consumidor que busca novidades gastronômicas, coloca à disposição em suas gôndolas um número expressivo de opções desta dupla tradicional brasileira. No caso específico do arroz, no Verdemar é possível o cliente encontrar além dos tipos tradicionais polidos, diversas opções de arroz como, por exemplo, o tipo arbóreo, orgânico, negro, vermelho, aromático, para sushi, risoto, carnaroli, vitaminado, integral, com funghi, com curry, com evas, à grega, entre outros. Já o feijão, a opção pode ser para o preto, branco, jalo, carioquinha, roxo, rosinha e fradinho, só para citar os mais tradicionais.

 

Estar atento ao comportamento dos consumidores e oferecer a eles o que estão procurando são dicas que os supermercadistas, mais afinados com as mudanças, devem ficar atentos. Valorizar a exposição desses itens de maneira que o cliente possa enxerga-los mais facilmente, além de estarem juntos com outros produtos que tenham entre si relação direta de consumo, destacando-os entre os demais ou seja, utilizando-se da conhecida técnica do cross merchandising.

 

Esta reportagem é uma das matérias da edição de julho da Revista Gôndola, que já está em distribuição para todos os associados da AMIS e também disponível para leitura, assim como outras várias reportagens da Revista, clicando na imagem abaixo.

   


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