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Desacelera a inadimplência das empresas mineiras, aponta SPC - 13/04/2017



A melhora de alguns indicadores econômicos tem contribuído para frear o ritmo do aumento da inadimplência em empresas do Estado. De acordo com o Indicador de Dívidas em Atraso do Conselho Estadual de SPC de Minas Gerais, em março deste ano houve alta de 7,96% no número de pessoas jurídicas inadimplentes, comparando-se com o mesmo período de 2016. Entretanto, o índice foi quase a metade do que foi registrado em março do ano passado, quando o crescimento foi de 15,74%.

 

Bruno Falci, presidente do SPC Brasil e do Conselho Estadual de SPC de Minas Gerais, explica que, apesar da taxa de desemprego continuar elevada, a inflação começou a desacelerar (0,33% em fev.17) e os juros estão diminuindo (12,25% em mar.17). “Esse cenário otimista poderá estimular a retomada do investimento e impactar positivamente na geração de emprego e, consequentemente, no aumento do consumo e das receitas das empresas”.

 

Pessoas jurídicas inadimplentes – Variação anual

 

 

De acordo com o gráfico abaixo, na base de comparação mensal também foi registrado crescimento, mas de forma moderada. Em março de 2017 a alta foi de 0,39% ante 0,57% no mesmo mês de 2016.

 

Pessoas jurídicas inadimplentes – Variação mensal

 

 

O setor que registrou a maior quantidade de empresas inadimplentes foi o de serviços. Na comparação anual, a alta foi de 12,22% em março de 2017, frente ao mesmo período do ano anterior. Falci afirma que com o aumento da inflação e a queda da atividade econômica em 2016, esse setor foi o mais atingido. “Em Minas, nos últimos 12 meses (Fev.16/Jan.17), o segmento assinalou uma retração de 4,7% em suas atividades, segundo o IBGE, o que diminuiu as receitas das empresas desse setor e, por conseguinte, comprometeu a capacidade de pagamento”.

 

A inadimplência nos outros setores comportou-se da seguinte forma, em março de 2017 frente ao mesmo período de 2016: comércio (+6,54%); indústria (+6,33%); agricultura (+2,22%) e outros tipos de estabelecimentos (-6,14%).

 

Número de dívidas

 

O número de dívidas em atraso das empresas cresceu 6,01% em março de 2017, na comparação com o mesmo período do ano anterior (veja gráfico abaixo). “O número de dívidas está seguindo a mesma tendência do número de empresas devedoras, com desaceleração do crescimento. Em março de 2016 o índice alcançou os 18,58%”, analisa Bruno Falci. 

 

Total de dívidas – Variação anual

 

 

De acordo com os dados do Serviço de Proteção ao Crédito das CDL’s de Minas Gerais, na comparação mensal (mar.17/fev.17) o número de dívidas em atraso apresentou leve crescimento de 0,31%, mas menor que em 2016 que foi de 0,74%.

 

Total de dívidas – Variação Mensal

 

 

A pesquisa também apontou que foi menor o número médio de dívidas de pessoas jurídicas em março deste ano foi de 2,07 dívidas por empresa. Em março de 2016, o resultado foi de 2,11 por CNPJ.

 

Inadimplência de pessoas físicas

 

Em março de 2017 houve alta de 2,23% no número de pessoas físicas inadimplentes, na comparação com março de 2016, quando o patamar foi de 4,88%. “Esse crescimento ainda é resultado do momento complicado da economia em 2016, com inflação alta, juros elevados, queda na renda real e aumento na taxa de desemprego”, analisa Falci. O dirigente ressalta, porém, que o número de devedores desacelerou “em função da entrada de recursos extras via FGTS das contas inativas, o que possibilita que muitas pessoas quitem seus débitos”.

 

Pessoas inadimplentes – Variação anual

 

 

Já na comparação mensal (Mar.2017/Fev.2017) houve queda de 0,18% no número de pessoas inadimplentes. Em 2016, o índice foi de alta de 0,71%.

 

Na abertura por faixa etária, no mês de março deste ano em comparação ao mesmo mês de 2016, o número de inadimplentes mais jovens, com idade entre 18 e 24 anos apresentou queda de 26,35%, enquanto os devedores acima de 50 anos registraram a maior concentração (47,45%) entre as categorias. Bruno Falci explica que muitas pessoas acima dos 50 anos são aposentadas e, normalmente, as responsáveis financeiras pelas famílias, por isso sentem mais no bolso os reflexos do aumento do custo de vida. Já entre os jovens, o dirigente explica que “a queda se deve ao fato de estarem demorando mais a conseguir entrar no mercado de trabalho e, por isso, não conseguem consumir”. 

 

Dívidas de pessoas físicas

 

Na comparação anual, em março de 2017 foi verificado uma queda de 0,50% no número de dívidas de pessoas físicas em Minas Gerais junto ao SPC. “Aqui também vemos o efeito positivo da liberação do FGTS das contas inativas, que proporcionou renda extra às pessoas e possibilitou a quitação de débitos”, ressalta o presidente do Conselho Estadual de SPC de Minas Gerais. Na comparação mensal (Mar.2017/Fev.2017), também houve queda no número de dívidas (-0,34%). Em 2016, o índice foi de alta de 1,23%.

 

Total de dívidas - Variação Anual

 

 

Na abertura por faixa etária, a maioria das dívidas no SPC Brasil, na variação anual, também incidiu sobre os consumidores acima dos 50 anos, com 45,72%. “Assim como observado na análise da inadimplência, o desequilíbrio econômico afeta principalmente essa faixa etária, porque nela estão os responsáveis financeiros das famílias que, em muitos casos, são aposentados”, pontua Falci. Entre os mais jovens, com idade de 18 a 24 anos, esse índice apresentou queda de 26,62%. De 25 a 29 anos a queda foi de 8,47%. Na faixa etária dos 30 a 39 anos, o índice teve retração de 1,33% e na de 40 a 49, alta de 4,25%.

 

Já a análise segmentada por gênero mostra maior queda na inadimplência entre os homens (-1,01%) na comparação anual frente à retração de 0,45% das mulheres.

 

Metodologia – Os indicadores de inadimplência apresentados nesse material contêm todas as informações disponíveis nas bases de dados a que o SPC Brasil e as CDL’s de Minas Gerais têm acesso. O indicador de pessoas físicas inadimplentes mostra a variação, mês a mês, no número de pessoas registradas na base do SPC Brasil. Cada pessoa física inadimplente é contada apenas uma vez, independente do número de dívidas que tenha em atraso. Já o número de dívidas em atraso mostra a quantidade média de dívidas em atraso de cada pessoa física. (Fonte: Equipe de Comunicação do SPC Brasil e do Conselho Estadual de SPC de Minas Gerais)

 

 


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