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Legumes imperfeitos ganham prestígio - 31/03/2017



Frutas e legumes feios e imperfeitos, antes vistos com menosprezo e descartados pelos consumidores, estão ganhando prestígio nas gôndolas de supermercados de todo o mundo.

 

Até 50% mais baratos do que os produtos de boa aparência, ou dentro do padrão, os "feinhos" atraem consumidores preocupados ainda com o desperdício e com os benefícios para a saúde. Mais bem informada, essa clientela está deixando de "comer com os olhos". Em Portugal, por exemplo, uma cooperativa adotou o slogan "Gente bonita come frutas feias". Em São Paulo, uma distribuidora desses produtos estampa a frase "Cor e sabor além da aparência".

 

"São consumidores mais preocupados com a qualidade do que com beleza do produto na mesa", explica Bruno Benassi, diretor do Grupo Benassi.

 

Desde 1952 distribuindo frutas e vegetais a supermercados em seis Estados, o grupo criou, dois anos atrás, o projeto "Frutas e legumes feinhos". "Vimos que uma grande quantidade de frutas e vegetais com aparência ruim, mas de boa qualidade, era jogada fora. Então nossos fornecedores nos propuseram vendê­los por um preço bem mais em conta e desta forma, oferecemos frutas e legumes por até metade do preço ao consumidor final", relata Benassi.

 

Hoje, em uma das três unidades do grupo em São Paulo, dos 200 mil quilos de produtos distribuídos por dia, cerca de 2% são frutas e legumes imperfeitos. "Em dez anos, essa participação pode chegar a 10%. Nossos clientes estão gostando e nossa receita vem crescendo", diz o diretor.

 

A distribuidora de frutas e legumes Dois Cunhados, também de São Paulo, passou a comercializar esse tipo de produto a pedido da bandeira Atacadão, do Carrefour, dois anos atrás. "Eles trouxeram essa filosofia da França", conta Bruno Neves Carlos, da área comercial da empresa. Segundo ele, cerca de 200 pacotes de um quilo são entregues por semana a cada uma das oito lojas. "Os preços no varejo saem até 40% mais baratos em relação aos produtos padronizados", afirma.

 

 Antes os fornecedores, ressalta Neves, vendiam esses produtos por preços muito baixos, dentro da Ceagesp ou para feirantes. "Agora nós compramos por preços melhores." A tendência desse segmento é crescer, segundo ele, embora o brasileiro ainda "coma muito com os olhos e ainda prefira mercadoria bonita", observa. Os produtos mais vendidos dentro desse perfil, conta, são cenoura, tomate, beterraba e batata.

 

Hélio Watanabe, engenheiro agrônomo da Ceagesp/SP, diz que os varejistas estão sendo atraídos por essas frutas e legumes que até agora eram desvalorizados no Brasil. "Há três anos se fez uma campanha para chamar a atenção para esse mercado e o interesse vem crescendo devagar", diz. "O processo é tão embrionário que ainda não temos números. Até pouco tempo, esses produtos eram jogados no lixo ou serviam de alimentos para os animais", conclui.

 

Há empresas que foram criadas pensando em aproveitar os "enjeitadinhos". Uma delas é a Fruta Imperfeita, que nasceu há dois anos com a proposta de entregar em domicílio, a cada semana, cestas com frutas e legumes feios ou com algum defeito. Segundo o engenheiro Roberto Matsuda, idealizador do projeto, mais do que delivery, a meta é ser referência em consumo consciente. Segundo seus cálculos, em um ano seus fornecedores deixaram de jogar fora 120 toneladas de frutas e legumes imperfeitos.

 

Enquanto no Brasil essa prática ainda está começando, na Europa, Estados Unidos e Canadá já há grandes redes envolvidas e campanhas pelos legumes com defeito são feitas com frequência. Na França, por exemplo, uma rede de supermercados lançou o programa "Fruits et Légumes Moches", frutas e legumes feios, e teria registrado um aumento de 24% nas suas vendas em quatro anos.

 

Em Portugal, o slogan "Gente bonita come fruta feia" é um projeto de empreendedorismo social lançado em 2013 pela Cooperativa Fruta Feia. São quase mil consumidores associados e mais de 100 agricultores envolvidos. Estima­se que a iniciativa evite que cerca de 5 toneladas de produtos sejam jogadas fora a cada semana. Além de economia para o consumidor, do ganho maior para o produtor e redução do desperdício, o aproveitamento desses produtos tem vantagens nutricionais.(Fonte: Jornal Valor Econômico) 

 


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