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Ano começa com alta nas vendas de cerveja - 23/03/2017



O mercado brasileiro de cerveja deu alguns sinais de recuperação no primeiro bimestre de 2017, embora não existam dados fechados do volume total vendido no país no período. Informações do varejo indicam crescimento de até 40% nas vendas de algumas marcas de neste ano, em comparação a 2016. Para os meses de março e abril, supermercados elevaram as encomendas em 4,5% em relação ao mesmo intervalo do ano passado. Esses aumentos sinalizam uma inversão na tendência do setor, que registrou queda de 2% no volume vendido em 2016, conforme dados do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe) da Receita Federal, sistema que parou de operar em dezembro.

 

As indústrias foram favorecidas pelo clima quente e, principalmente, pelo Carnaval tardio e mais amplo, com a saída blocos de carnaval de rua durante todo o mês de fevereiro e começo de março. Em 2016, o Carnaval foi realizado na primeira semana de fevereiro e os festejos nas ruas foram menores.

 

Em supermercados, hipermercados e atacarejo ­­ que respondem por cerca de 40% das vendas de cerveja no país ­ as encomendas para abastecer as lojas em março e abril estão 4,5% maiores em comparação ao mesmo intervalo de 2016, de acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). A entidade não divulgou o índice de vendas de cervejas em janeiro. No mês, as vendas reais totais do varejo supermercadista ficaram estáveis, com leve variação de 0,09% sobre janeiro de 2016.

 

Entre as redes varejistas, o Grupo Pão de Açúcar (GPA) informou que as vendas de cerveja das redes Extra e Pão de Açúcar cresceram 6,5% no Carnaval. Em todo o mês de fevereiro, houve crescimento de 20% ante igual período de 2016. "O Carnaval caiu no último fim de semana do mês, estendendo o verão e gerando maior consumo da categoria no período. Fizemos negociações antecipadas e realizamos ações em todo o mês, com o intuito de atingir também o folião do Carnaval de rua, e não só aquele que faz compras para viajar. O crescimento resultou de um trabalho de muito planejamento e boa execução", disse Renato Giarola, diretor comercial de multivarejo do GPA.

 

Na rede de atacarejo Assaí, as vendas cresceram 24,8% no Carnaval em comparação ao ano passado. No segmento de cervejas premium, o aumento foi de 59,6%. "Temos percebido um crescimento interessante das vendas de cervejas premium, alavancado principalmente pelo aumento do consumo da bebida nos lares, já que as pessoas diminuíram as refeições fora de casa para economizar", disse José Goes, diretor comercial do Assaí.

 

"Houve um bom aquecimento no consumo de cerveja nos domicílios, com aumento no número de lares que compram a bebida e aumento na frequência de compras nos supermercados", afirmou Thiago Torelli, diretor de atendimento da Kantar Worldpanel. Ele observou que o varejo realizou mais ações promocionais com cervejas neste ano, o que trouxe um impacto positivo no ritmo de vendas da categoria.

 

De acordo com dados preliminares da Kantar Worldpanel, as vendas de cervejas em embalagens de 300 mililitros em supermercados cresceram mais de 30% neste ano em relação ao ano passado. Ambev, Heineken e Grupo Petrópolis vendem versões de 300 ml de suas cervejas Skol, Brahma, Antarctica (Ambev), Kaiser (Heineken) e Itaipava (Petrópolis). Segundo a Ambev, as garrafas retornáveis de 300 ml responderam por 22% das vendas da companhia em supermercados em 2016 ­ com tendência de elevação. Além dessas embalagens, Torelli destaca uma melhora nas vendas das latas de 269 mililitros ou de 473 mililitros, que têm preços mais atraentes para os consumidores.

 

O analista destaca ainda as vendas da Budweiser neste ano (da Ambev), que crescem 40%? Stella Artois, também da Ambev, cresce 17%. As vendas de Itaipava, considerando todas as embalagens, crescem 18%.

 

Procuradas, as cervejarias não deram informações sobre volume vendido no primeiro bimestre, mas informaram que ampliaram neste ano as ações para se comunicar diretamente com os consumidores ­ chamadas de ações de ativação. De acordo com fontes do setor, essas iniciativas têm uma taxa de sucesso que varia de 15% a 20%, ou seja, de cada 100 consumidores que participam de uma ação dessas, 15 a 20 tornam­se consumidores assíduos da marca.

 

A Ambev, por exemplo, aumentou neste ano em 64% o número de blocos patrocinados no Carnaval, chegando a 650 grupos. A empresa também patrocinou mil trios elétricos. O número de vendedores ambulantes vendendo marcas da Ambev aumentou 46%, para 38 mil no país. A companhia promoveu ações em 40 cidades e estima ter atingido 40 milhões de pessoas no Carnaval. "A empresa trabalhou para fazer um carnaval muito grande e foi o maior da história da Ambev. Houve uma retomada do Carnaval de rua e a companhia entende que é importante aproximar as marcas dos consumidores levando experiências únicas", afirmou Rafael Pulcinelli, diretor da plataforma de eventos da Ambev. Ele acrescentou que o investimento em marketing foi 25% maior neste ano em comparação a 2016, mas não deu o número investido nas ações de Carnaval. As ações da Ambev envolveram as marcas Skol, Brahma e Antarctica.

 

Para ter uma base de comparação, no primeiro trimestre de 2016, com menos ações durante o Carnaval e afetada pelo aumento da carga tributária e pela recessão, a Ambev registrou uma queda de 4,6% na receita de vendas de cervejas no Brasil e um recuo de 10% no volume vendido.

 

A Heineken, por sua vez, promoveu ações com as marcas Heineken e Amstel. Ao todo, a companhia patrocinou 13 blocos de rua no Recife, 40 blocos e três escolas de samba no Rio de Janeiro, uma escola em Florianópolis, oito blocos em São Paulo. Segundo a companhia, as vendas de cerveja no Carnaval tiveram crescimento em volume acima de 60% em comparação ao vendido no período em 2016. Para efeito de comparação, no primeiro trimestre do ano passado, com menos ações de Carnaval, a Heineken reportou um avanço de "um dígito médio" (entre 5% e 7%) no volume de vendas no Brasil.

 

A Brasil Kirin também promoveu ações com as marcas Schin e Devassa. A companhia patrocinou o Camarote Schin Aê, em um ponto do circuito Dodô (Barra­Ondina), em Salvador. A marca também patrocinou dez trios elétricos em Salvador e camarotes no desfile do Galo da Madrugada, no Recife. Com a marca Devassa, a companhia foi uma das patrocinadoras do Camarote Salvador, do Camarote Rio, no Rio, e do Camarote Olinda, em Pernambuco. No ano passado, a Brasil Kirin registrou no Brasil uma queda de 0,4% nas vendas de cerveja do primeiro trimestre. Procurado, o Grupo Petrópolis não concedeu entrevista. (Fonte: Jornal Valor Econômico) 

 


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